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História

por Comunicação

07/05/2013 13:48

Caratinga possui uma geografia típica dos Mares de Morros mineiros, isto é, uma área acidentada dos planaltos dissecados e cobertas por florestas estacionais semi-deciduais. Este ambiente geográfico é cortado pelo Rio Caratinga, que foi, como afirma Lázaro Denizart do Val, por onde, em 1841, chegou aqui Domingos Fernandes Lana, a procura de Poaia, um planta de grande valor medicinal:


Com a influencia resultante do bom preço da poaia e em procura da mesma, partindo das proximidades da atual cidade de Abre Campo, com alguns índios, deliberou penetrar os serões nas regiões dos rios Matipó e Sacramento Grande, alcançou as nascentes do rio Caratinga, prosseguiu por onde é hoje a atual cidade desse nome, dobrou pelas aguadas do rio Manuassu , chegando até o local denominado Cuieté.

 

Esta citação é uma das mais antigas sobre o início de nossa história. Foi feita por Antônio Caetano do Nascimento, filho daquele que é considerado o fundador de Caratinga. Teria sido Domingos Fernandes Lana que, impressionado com a enorme quantidade de “um tubérculo alimentício chamado caratinga (cará branco), deram aos montes que a esta dominam o nome de serra da Caratinga”. Surgia, assim, o nome de nossa cidade, provavelmente já chamada dessa forma pelos nativos que aqui residiam.


De fato, antes da chegada destes desbravadores, aqui residiam dois grandes grupos de nativos. Um nômade, que seguia as águas do rio Caratinga até o rio Doce, e voltavam sempre que os alimentos ou o tempo os obrigasse - eram os bravos Botocudos, que foram aquartelados e praticamente dizimados. O outro grupo era de nativos, os chamados Purís, ou Bugres, que habitavam esta região, se alimentado do próprio cará branco, da caça e da pesca. Foram de grande importância na localização de nossa cidade.
A data de 24 de junho de 1848, a que a tradição se refere Dia da Cidade, tem como base o mesmo relato de Antônio Caetano do Nascimento:


Em 1848, entrou João Caetano do Nascimento, em Caratinga, com seus filhos maiores, muito patriota e de relação com Domingos Fernandes de Lana... (de quem requereu) Bugres, e com seus companheiros, João da Cunha, João José e João Antonio de Oliveira, fez picada até Sapucaia... chegando à localidade que é a atual cidade deste nome em 23 de junho de 1848. Festejaram o dia de São João com uma grande fogueira e, nesse mesmo dia ofereceram uma posse para patrimônio desse santo, que é a atual cidade.

 

Como se vê, na verdade, quem primeiro desbravou nossa terra foi Domingos Fernandes Lana, e não João Caetano do Nascimento, como geralmente se afirma.


Nossa cidade, desde os anos de sua fundação até quando foi elevada a cidade, teve um crescimento incipiente e irregular. A construção da Capela de São Batista e a vinda do primeiro religioso, o Padre Maximiano João da Cruz, forma destaques neste período. Lazadro do Val, afirma que “era a pequena capela, inacabada e tosca, o único sinal de civilização da terra, que permanecia segregada e inóspita”.


Esta situação somente viria a mudar após a nossa emancipação política de Manhuaçu, a quem pertencíamos, em 1890. Com a Proclamação da República, sobressaiam em nossa cidade o trabalho de vários “republicanos históricos”, dentre os quais é preciso destacar José Cristino da Silveira, Tobias Manassés Viana e Symphrônio Fernandes. Segundo Lázaro do Val, esta tríade e mais alguns outros republicanos organizaram um comício no alto do Itaúna e, no dia 30 de setembro de 1889, “saudaram com enorme foguetório” a futura República do Brasil. Quando ele esteve em nossa cidade, em campanha pelo regime republicano, João Pinheiro havia prometido que se a mesma fosse implantada conseguiríamos nossa emancipação. E de fato, três meses após a implantação da República, isto ocorreu.


Aliás, este foi um dos primeiros atos de Cesário Alvim, a saber, a criação do município de Caratinga em 06 de fevereiro de 1890. Esta é a data que nossa cidade deveria comemorar seu aniversário. Este novo município já nascia com números estatísticos consideráveis, pois, segundo dados da época, Caratinga possuía 10.572 Km e uma população de cerca de 25.000 habitantes.


Nosso primeiro poder constituído, a Câmara Municipal, pois na época não havia ainda a figura do prefeito, foi empossada em 7 de março de 1892, permanecendo até 1894, e tendo como presidente Symphrônio Fernandes.


Até 1930, nossa história foi marcada pelo domínio do que se convencionou chamar, na história do Brasil, de coronelismo. De fato, aglutinados em duas denominações partidárias chamadas de “caranguejo” e “bacurau”, eles se alternaram no poder até o fim da República Velha na década de 1930. Alguns grandes nomes e grandes acontecimentos marcaram este período, tais como os “Silva Araujo”, notadamente Antônio e Raphael, líderes dos caranguejos, e Joaquim Monteiro de Abreu (nosso primeiro deputado) e José Antônio Ferreira Santos (Santos Mestre). 


A principal realização foi, sem dúvida, a restauração da Comarca, em dois de dezembro de 1917, com a maior festa popular desde a fundação de nosso município. A comarca havia sido suprimida em 1912, voltando a pertencer a Manhuaçu.


Outro grande nome da política da época foi Agenor Ludgero Alves. Líder maior de nossa política de 1919 até 1930. Foi responsável por inúmeras conquistas, dentre elas: Inauguração dos serviços de produção de energia elétrica da cidade, de propriedade da Empresa Industrial de Caratinga. Em 1927 Ludgero conseguiu a assinatura do contrato entre o município, a Estrada de Ferro Leopoldina e o estado de Minas Gerais, com a inclusão de Caratinga entre as cidades beneficiadas. Em 14 de julho de 1928 tiveram fim os estudos para a instalação da Estrada de Ferro, o que ocorreu em 1930, em meio a enormes festividades.


O início da década de 1930 ficou marcado em nossa história como uma época de “demência coletiva”, tantos foram os assassinatos e barbaridades cometidos em nome da “Revolução de 1930”. O caso da “Chacina do Imbé” foi apenas um deles, com a morte do líder local, Joaquim Candido. Mas também foi a época que, em nossa cidade, se deu a divisão dos poderes Legislativo (a Câmara Municipal, neste momento foi suprimida, sendo que, entre 1930 e 1947, só funcionou entre 1936 e 1941)  e Executivo, surgindo assim a figura do prefeito municipal.


O primeiro prefeito de nossa cidade foi Jorge Coura Filho, que ficou até 1932. Dessa época até hoje nossa cidade ficou sendo dirigida pelo prefeito municipal. Neste período, vários deles se destacaram tais como Omar Coutinho, que realizou grandes obras de construção de estradas e saneou as contas públicas, e José Augusto Ferreira Filho (1943 a 1946), que foi também deputado estadual, federal e senador da República, iniciando um domínio político em nossa cidade que se estenderia por décadas. Foi ele o responsável por iniciar o domínio do PSD (Partido Social Democrático).


Outro prefeito de grande importância política para a cidade foi Moacyr de Mattos, da UDN (União democrática Nacional), que conseguiu, em 1973, romper com o domínio do PSD. Foi ele o responsável por aumentar nossa zona urbana em direção ao Limoeiro. Hoje esta avenida leva seu nome.


Também devem ser citados os nomes de Anselmo Bonifácio (Dr. Fabinho) 1983/1988, que levou ao poder o PMDB, além de criar os líderes distritais, que ainda hoje estão na política; e Dário da Anunciação Grossi (1993/1996), que também aumentou nossa zona urbana, desta vez em direção a Unidade II do Centro Universitário de Caratinga. Atualmente a cidade é dirigida pelo prefeito Marco Antônio Junqueira. 


Caratinga é conhecida nacionalmente por suas intervenções culturais, através de grandes nomes em diversas áreas. A reserva ecológica chamada Reserva Particular do Particular do Patrimônio Natural Feliciano Miguel Abdala (RPPN-FMA), abriga o Muriqui, o maior mamífero endêmico da América Latina. Esta reserva recebe pesquisadores de todo o mundo, dentre eles a cientista Karen Strier, que pesquisa estes mamíferos há exatos trinta anos e cujas pesquisas mudaram o rumo da primatologia mundial.


Conhecida como “Cidade das Palmeiras”, possui em sua praça um coreto de Oscar Niemayer, que junto com vários outros monumentos históricos, tais como o Palácio do Bispo, a Catedral de São João Batista, da década de 1930, e o Colégio Princesa Isabel, fazem dela um conjunto arquitetônico e paisagístico (pois tem ao fundo a Pedra Itaúna), de grande valor histórico e cultural. 

 

Nelson Sena Filho - Historiador, Secretário Municipal de Cultura, Esporte, Lazer e Juventude.



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